Técnica de Estudo – Método Cornell

O Método de Cornell é uma ferramenta poderosa para organizar as anotações de aulas e a sua revisão. Parece simples e é, mas otimiza muito o tempo na hora de estudar.

O método consiste em dividir a folha de anotações em alguns campos (nos Estados Unidos é possível comprar cadernos já delimitados deste modo, mas como não temos acesso a eles aqui, é só dividir com uma régua o caderno que você já usa).

A sua folha de caderno deverá ficar assim:

 

Com o caderno assim dividido, basta fazer as anotações da aula (ou o resumo de um livro) no campo marcado com o número 2. Os campos 3 e 4 você deve reservar para preencher após a aula. 

Assim que você tiver um tempinho depois da aula, de preferência logo que ela acabar, volte nas suas anotações e comece a preencher os campos 3 e 4. No campo 3 você deverá colocar apenas palavras-chaves, indicando o tema tratado, com o objetivo facilitar a sua vida na hora da revisão. A intenção é que, só de olhar a palavra-chave, você já lembre das suas anotações.

Fique tranquilo se nas primeiras vezes esse exercício causar um pouco de confusão e insegurança sobre qual palavra-chave usar. Com a prática, esse processo ficará bastante automático e você saberá, intuitivamente, o que colocar e quão específico ser, para se lembrar depois.

Após preencher o campo 3, volte e preencha o campo 4. Aqui você deverá resumir com algumas frases todo o conteúdo da página. Assim, quando você fizer a revisão, se as palavras-chaves do campo 3 não refrescarem a sua memória, você terá esse resumo para ajudar, antes de recorrer às anotações do campo 2.

Abaixo um exemplo de um caderno com o método de Cornell aplicado:

Como usar o método para a revisão?

Depois de ter preenchido todos os campos, quando você for realizar sua revisão, você deverá seguir os seguintes passos:

1. Cubra o campo 2 e o campo 4 com uma folha de papel. Olhando apenas para as palavras-chaves do campo 3, tente se lembrar de todo o conteúdo de suas anotações que está no campo 2.

2. Se você considera que se lembrou de todo o conteúdo, você pode descobrir os outros campos e verificar se cobriu todos os tópicos mesmo. Se você se lembrou de uma parte, mas não de tudo, ou se não se lembra de nada, retire a folha de papel apenas do campo 4, e leia o seu resumo. Tente recordar sozinha do restante do conteúdo.

3. Descubra o campo 2 e verifique se você se recordou de todo o conteúdo. Se um ou outro detalhe foi esquecido, sem problemas, releia com atenção e prossiga com a revisão. Se você persistir nas revisões regulares de todo o conteúdo, com o tempo, ela será bem mais rápida e você se lembrará do conteúdo inteiro.

Obs: se essa é sua primeira ou segunda revisão, não se preocupe se você não se lembrar de todo o conteúdo. O importante é manter revisões regulares e seguir o método; com o tempo, por mais impossível que pareça, você se lembrará de tudo.

Obs2: se você já revisa o conteúdo há algum tempo e não consegue se recordar das suas anotações, nesse caso é preciso verificar o que está acontecendo. Pode ser que você não esteja revisando com a frequência necessária. Nesse caso, revise esse conteúdo em intervalos mais curtos.

Ou pode ser que o conteúdo ainda esteja confuso, ou que esteja em conflito com outras informações que você tem, ou que não faça muito sentido, ainda. Nesse caso, vale a pena dispensar algum tempo estudando com mais afinco esse tema específico. Preparar outro material, como um mapa mental, flashcards, fluxograma, etc. Cada conteúdo pode ser estruturado de várias formas diferentes e é melhor entendido de uma forma ou de outra, então você pode testar outras formas de estudo para ver como esse tema é melhor fixado.

Quais as vantagens do método?

  1. A primeira vantagem é que as etapas do método exigem que você revise o conteúdo logo após ter feito as suas anotações, para preencher os campos 3 e 4. E revisar o conteúdo logo após o primeiro contato com ele é o primeiro passo para reter mais detalhes e consolidar melhor essa memória, conforme vimos aqui.
  2. A segunda vantagem é que seguir o método significa que suas revisões serão sempre ativas. E o que isso quer dizer? Quer dizer que, ao invés de simplesmente ler suas anotações quando for revisar (forma passiva de revisão), e correr o risco de ter uma ilusão de competência, você estará se forçando a se lembrar do conteúdo apenas com o auxílio de uma palavra-chave. Desta forma, terá muito maior controle sobre o conteúdo efetivamente assimilado e o que precisa ser revisado com maior frequência, ou de outras estratégias para ser memorizado.
  3. A terceira vantagem é de ordem prática. Para fazer uma revisão ativa, é importante separar o material da revisão das anotações propriamente ditas. Antes de conhecer o método de Cornell, eu fazia as anotações em um caderno, e mantinha, em folhas avulsas, um pequeno resumo, com muitas palavras-chaves. Isso requeria uma boa dose de organização, especialmente quando são várias as matérias para estudar. O método facilitou muito a minha vida, porque o resumo para a revisão agora fica na mesma página das anotações. Além disso, não há prejuízo nenhum para a recordação ativa, já que é fácil tampar as anotações e tentar relembrar somente com a ajuda das palavras-chaves.
  4. A quarta vantagem, que demora um tempo para se tornar aparente, mas talvez seja a mais importante, é que esse método contribui para a sistematização do aprendizado. Com o tempo, você irá identificar as várias formas de abordar um tema e as preferências do seu professor, e se você tiver sorte, as suas preferências também, e poderá complementar suas anotações para que aquele tema se torne mais fácil de estudar. Por exemplo, dentro de um determinado conteúdo é possível que conceitos sejam definidos, que haja uma evolução histórica, que comparações sejam feitas e exemplos dados. Cada tema pode exigir um conjunto diferente das informações acima, dependendo de sua natureza e da didática do seu professor. Mas se você descobrir que memoriza muito melhor um conteúdo quando a evolução histórica é apresentada, ou quando muitos exemplos são dados, você mesma pode ir atrás dessas informações (em fontes confiáveis, sempre!) ou pedir para seu professor complementá-las. Isso é aprender a se tornar uma aluna independente e autônoma, e é um processo muito gratificante.
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Formada em Direito pela USP, cursando Psicologia e pós em Neurociência da Aprendizagem, aprovada em concursos e vestibulares diversos, apaixonada por educação, métodos de produtividade e meditação, criou o blog Projeto Estudos para compartilhar seus aprendizados.

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